São João deve movimentar R$ 2,5 bilhões na Bahia
Previsão da Fecomércio-BA indica crescimento no turismo e no comércio
Por: Iago Bacelar
28/05/2025 • 12:53
A projeção da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio-BA) aponta que os festejos de São João devem movimentar R$ 2,5 bilhões em junho, impulsionando o comércio e o turismo no estado. A estimativa representa crescimento de 2% nas vendas do varejo e de 7,5% nas atividades turísticas em relação ao mesmo período do ano passado.
Impacto no comércio e turismo
A maior festa regional do país, tradicional no Nordeste, amplia o movimento de setores estratégicos da economia. O comércio varejista deve responder por R$ 2 bilhões do faturamento total, com destaque para a venda de roupas típicas e alimentos tradicionais. Já o setor turístico deve alcançar R$ 550 milhões, refletindo o aumento do fluxo de viajantes para as celebrações no interior.
A projeção reforça o papel do São João como motor de crescimento econômico, superando períodos como o Natal e as férias escolares em movimentação nas rodovias e terminais rodoviários.
Alta procura por itens juninos
Os consumidores buscam roupas e acessórios para compor o traje típico. Peças como vestidos de chita, camisas xadrez e adereços dominam as vitrines das lojas. Nos supermercados, a procura por alimentos que integram as receitas juninas cresce e movimenta as vendas.
De acordo com o presidente do Sistema Comércio BA, Kelsor Fernandes, essa movimentação impulsiona diversos setores.
“São foliões em busca de tecidos e roupas típicas para aproveitar as festas. No setor de alimentos, observa-se uma procura intensa por insumos para a preparação de pratos juninos, como canjica, bolo de milho, cuscuz, entre muitos outros. Além disso, há uma demanda por mantimentos para abastecer a casa durante viagens com familiares e amigos, visando às refeições do período”, explicou.
Preço do milho recua, mas leite pressiona orçamento
A queda no preço do milho em conserva traz alívio para o bolso do consumidor. Dados do IBGE apontam recuo de 13% no preço desse produto na Região Metropolitana de Salvador em um ano até abril. O fubá de milho também teve queda, de 4,37%, segundo o Instituto.
No entanto, os derivados do leite apresentam alta. Guilherme Dietze, consultor econômico do Sistema Comércio-BA, chama atenção para essa variação.
“Segundo o IBGE, o milho em conserva, utilizado como referência de preço, apresentou recuo de quase 13% na Região Metropolitana de Salvador em um ano até abril. Já o fubá de milho, outro produto com dados disponíveis nacionalmente pelo Instituto, teve queda de 4,37%. Por outro lado, os derivados do leite, como o leite longa vida e o leite condensado, registraram alta média de cerca de 10%, o que pode levar o consumidor a gastar um pouco mais com esses itens este ano”, disse Guilherme.
Essa variação pode impactar diretamente o custo das receitas juninas, exigindo maior planejamento por parte dos consumidores.
Turismo regional ganha força
O turismo regional aparece como um dos grandes beneficiados pela tradição do São João. A expectativa de R$ 550 milhões em faturamento, com alta de 7,5% em relação a 2024, se concentra em viagens dentro do estado, com destaque para o interior.
Segundo a Fecomércio-BA, os deslocamentos terrestres são responsáveis pelo maior fluxo. Nos últimos dois anos, a rodoviária de Salvador teve seu maior movimento anual em junho, superando o Natal e as férias escolares. O mesmo ocorre nas rodovias pedagiadas, que registram picos de tráfego nesse período.
A festa movimenta cidades do interior, conhecidas pelos grandes arraiais. Nessas localidades, milhares de pessoas buscam a música, as quadrilhas, a culinária e o clima acolhedor que marcam o período junino.
Economia aquecida e expectativas positivas
A previsão da Fecomércio-BA sinaliza otimismo para o comércio e para o turismo. O crescimento das vendas de roupas e alimentos típicos e o aumento das viagens regionais devem injetar recursos significativos na economia do estado, reforçando a importância do São João para o desenvolvimento local.
O faturamento projetado de R$ 2,5 bilhões se soma ao potencial de criar empregos temporários, dinamizar o comércio local e estimular investimentos em infraestrutura turística. O período também representa oportunidade para pequenos negócios que se beneficiam da movimentação intensa de turistas e foliões.
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