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Dia do Funk celebra gênero que saiu da favela e conquistou o mundo

Data homenageia movimento nascido no Rio e reforça impacto do funk na música, no esporte e na cultura

Por: Redação

12/07/202612:50

Dia Nacional do Funk é celebrado neste sábado (12), uma data que marca o reconhecimento oficial de um dos gêneros musicais mais populares do Brasil. A comemoração foi instituída por lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2024 e faz referência ao histórico Baile da Pesada, realizado em 12 de julho de 1970, no Rio de Janeiro.

Foto Dia do Funk celebra gênero que saiu da favela e conquistou o mundo
Foto: Reprodução / YouTube

Considerado um dos marcos da cultura black brasileira, o evento ajudou a abrir caminho para o surgimento das diferentes vertentes do funk carioca, que décadas depois ultrapassariam as fronteiras das comunidades e conquistariam espaço nas plataformas digitais, nos grandes festivais e até no cenário internacional.

O projeto que criou a data foi apresentado pelo então ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, atualmente à frente do Ministério da Saúde. A iniciativa reconhece a importância histórica, cultural e econômica do gênero para a música brasileira.

Os números ajudam a explicar esse protagonismo. O funk segue entre os estilos mais consumidos do país nas plataformas de streaming e figura constantemente entre as músicas mais executadas em serviços como o Spotify, dividindo espaço com sertanejo, pagode e piseiro.

Do Rio para o mundo

Nascido nas periferias e subúrbios do Rio de Janeiro, o funk recebeu forte influência do soul, do funk norte-americano e da cultura dos bailes black. Com o passar dos anos, ganhou identidade própria e passou a incorporar elementos de outros ritmos brasileiros.

A projeção internacional do gênero foi impulsionada por diferentes acontecimentos. Um dos mais marcantes ocorreu durante os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, quando Rebeca Andrade apresentou um solo ao som de "Baile de Favela", de MC João, levando o ritmo brasileiro para uma das maiores competições esportivas do planeta.

O futebol também ajudou nessa expansão. Jogadores brasileiros e estrangeiros frequentemente utilizam músicas de funk em comemorações de títulos e gols. Recentemente, o espanhol Lamine Yamal, destaque do Barcelona, viralizou nas redes sociais ao aparecer dançando músicas brasileiras e chegou a incluir "Dança da Motinha", de Dennis DJ, na festa do título do Campeonato Espanhol.

Anitta ajudou a internacionalizar o gênero

Entre os artistas responsáveis por ampliar o alcance do funk brasileiro, Anitta ocupa um papel de destaque. A cantora levou o gênero a festivais internacionais, incorporou o ritmo em lançamentos globais e colaborou com nomes como Major Lazer, J Balvin, Cardi B, Missy Elliott e Snoop Dogg, ajudando a apresentar o estilo a novos públicos.

Anitta. Foto: Lucas Jones / Divulgação

Anitta. Foto: Lucas Jones / Divulgação


Outro marco ocorreu em 2022, quando "Envolver" se tornou a primeira música de uma artista brasileira a alcançar o topo do ranking global do Spotify. Embora a faixa tenha influência do reggaeton, o sucesso consolidou Anitta como uma das principais embaixadoras da música brasileira no exterior, abrindo ainda mais espaço para o funk em mercados internacionais.

Gênero ainda enfrenta preconceito

Apesar do crescimento e da consolidação comercial, o funk continua sendo alvo de críticas e debates. Parte da resistência está ligada às origens periféricas do gênero e ao conteúdo de algumas letras, frequentemente associadas à violência, sexualidade ou ao uso de drogas.

Nos últimos anos, projetos de lei apresentados em diferentes esferas do Legislativo reacenderam a discussão sobre liberdade artística e criminalização da cultura periférica. Entre eles está a chamada "Lei Anti-Oruam", proposta inicialmente na Câmara Municipal de São Paulo e depois replicada em outras casas legislativas.

O cantor Oruam, um dos principais nomes da nova geração do trap nacional, reagiu às propostas afirmando que elas atingem não apenas sua carreira, mas toda a cena musical das periferias. Para artistas e movimentos culturais, o debate reforça que o funk segue dividindo opiniões, mesmo após conquistar reconhecimento oficial e se tornar um dos maiores fenômenos da música brasileira.