Carnaval exige preparo físico e mental para maratona de até sete dias
Especialistas alertam para limites e recuperação
Por: Marcos Flávio Nascimento
12/02/2026 • 10:40 • Atualizado
O Carnaval de Salvador vai muito além da festa. Para quem curte ou trabalha na folia, o período se transforma em uma maratona física e mental, marcada por longas jornadas em pé, poucas horas de sono e esforço contínuo do corpo. Entre pré-Carnaval, dias oficiais e ressaca pós-folia, são quase sete dias de impacto direto na saúde.
A rotina intensa altera horários, alimentação e descanso, exigindo adaptação rápida do organismo. O desgaste não afeta apenas foliões anônimos, mas também artistas que encaram uma sequência pesada de shows, viagens e apresentações em trios elétricos, muitas vezes no mesmo dia.
Alimentação e hidratação fazem diferença
Segundo a nutricionista Radyne Viana, o principal erro de quem enfrenta vários dias de Carnaval é negligenciar o básico. “Pouca hidratação, consumo excessivo de álcool e alimentos gordurosos ou industrializados são os maiores vilões”, alerta.
Arquivo pessoal
Antes de sair para o circuito, a orientação é clara: “Uma refeição completa, com proteína, carboidrato, legumes e verduras, ajuda a manter energia e previne intoxicações alimentares”.
Durante a folia, a dica é apostar em água, água de coco e lanches práticos com proteína, evitando embutidos.
Corpo sente o acúmulo de esforço e falta de sono
Para o preparador Done Santos, o Carnaval pode sim ser comparado a uma maratona, mas por outro motivo. “Não é pela intensidade, mas pelo volume acumulado. São muitas horas em pé, andando, pulando e, muitas vezes, dormindo pouco”, explica.
A falta de sono é apontada como o fator mais crítico. “Quando o cortisol sobe, a recuperação muscular piora, a imunidade cai e o sistema nervoso sente primeiro”, afirma. Ter um bom condicionamento cardiovascular, hidratação adequada e noites mínimas de descanso ajuda a reduzir os impactos.
A rotina de quem vive o Carnaval no palco
Quem sente esse desgaste na prática é o músico Marcelo Calamazzo, que encara o Carnaval como trabalho e celebração ao mesmo tempo. “Durante a folia, chego a passar mais de oito horas cantando e dançando sem parar. É uma rotina intensa e exaustiva”, relata.
Reprodução / Instagram @marcelocalamazzo
Segundo ele, a preparação começa bem antes: “Hoje eu inicio esse cuidado cerca de um mês antes, com mais hidratação, alimentação equilibrada e priorizando o sono. Sem isso, o corpo não aguenta”.
Marcelo também destaca o peso emocional da maratona. “Existe uma pressão enorme para estar sempre performando bem, mesmo quando o cansaço bate. Manter o equilíbrio emocional é um dos maiores desafios”, finaliza.
O pós-Carnaval também exige atenção
Quando a festa acaba, o impacto aparece. “O corpo sente o choque da queda de adrenalina. Vêm o cansaço acumulado, dores musculares, queda de imunidade e até uma leve melancolia”, conta o músico.
A recomendação dos especialistas é respeitar o tempo de recuperação, retomar a rotina aos poucos, reforçar a hidratação, cuidar da alimentação e priorizar o sono.
No fim das contas, a mensagem é direta: seja no trio, no circuito ou na arquibancada, Carnaval não é só festa, é resistência. E atravessar a folia com saúde passa, sobretudo, por saber ouvir o corpo e respeitar limites.
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