Kiss & Fly: Taxistas criticam cobranças no aeroporto de Salvador
Presidente da AGT questiona limite de tempo e possível exclusão da categoria
Por: Domynique Fonseca
23/04/2026 • 12:56 • Atualizado
O presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT), Denis Paim (@denispaimoficial), criticou o novo sistema de controle de veículos previsto para o Aeroporto de Salvador. Em entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio, na 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem, nesta quinta-feira (23), ele apontou impactos diretos na rotina da categoria e cobrou mais clareza sobre a implementação do modelo.
A medida, apresentada pela concessionária Vinci Airports, prevê a instalação de cancelas no meio-fio do terminal de passageiros, com paradas rápidas gratuitas de até 10 minutos. O objetivo, segundo a empresa, é melhorar a fluidez e a segurança, especialmente em horários de pico, quando o fluxo pode chegar a cerca de 1.100 veículos por hora. O sistema, que tem sido alvo de críticas e está na mira do poder público, está em fase de testes e a operação final está prevista para março.
Durante a entrevista, Denis Paim afirmou que a proposta não considera a dinâmica do trabalho dos taxistas.
“Como é que nós vamos desembarcar um passageiro com 10 minutos? O passageiro quer conforto, não quer pressa. Muitas vezes precisa organizar bagagem, finalizar pagamento ou até resolver algum imprevisto”, disse.
Segundo ele, a limitação de tempo pode gerar pressão adicional e até riscos no trânsito. “O taxista vai ficar preocupado com o relógio, isso pode causar acidentes”, avaliou.
Marcos Flávio Nascimento/Portal Esfera
O presidente da AGT também questionou a transparência do processo e a participação do poder público na autorização do projeto. De acordo com Paim, há divergências sobre o aval de órgãos municipais.
“A gente precisa de mais clareza. Estão dizendo que houve autorização, mas isso precisa ser melhor explicado. Está tudo muito confuso”, afirmou.
Outro ponto de preocupação é a possibilidade de cobrança para acesso ao espaço, ainda sem valor definido oficialmente. Segundo o representante da categoria, a estimativa inicial apresentada em reuniões indicaria taxas elevadas.
“Falaram em valores altos, com taxa mensal e até espécie de garantia. Muitos colegas não têm condição de pagar isso. Pode acabar excluindo parte da categoria”, declarou.
Paim ainda criticou o que considera tratamento desigual entre taxistas vinculados a cooperativas e os chamados taxistas comuns.
“Vai haver uma disparidade. Quem puder pagar entra, quem não puder fica de fora. Isso não é justo com quem já tem alvará e trabalha há anos”, disse.
Marcos Flávio Nascimento/Portal Esfera
Durante a entrevista, ele também mencionou a retirada de estruturas destinadas aos táxis antes mesmo da implantação do novo sistema.
“Já começaram a prejudicar os taxistas antes de o projeto entrar em vigor”, afirmou.
O dirigente citou ainda experiências em outros equipamentos da cidade, como o Centro de Convenções, onde, segundo ele, há restrições de acesso para taxistas independentes. Para Paim, o modelo proposto para o aeroporto pode repetir esse cenário.
“O que a gente quer é trabalhar com dignidade. Já pagamos nossos impostos, temos nosso direito garantido. Queremos livre acesso para exercer a atividade”, concluiu.
