“Acabou a ideia do criminoso estar mais armado que o policial”, diz coronel
Cel.Arthur Mascarenhas detalhou investimentos no combate ao crime organizado
Por: Domynique Fonseca
03/06/2026 • 13:02 • Atualizado
O Comando de Policiamento em Missões Especiais (CPME) da Polícia Militar da Bahia tem ampliado investimentos em equipamentos, tecnologia e estrutura para reforçar o enfrentamento ao crime organizado e atuar em ocorrências de alta complexidade em diferentes regiões do estado. O tema foi abordado pelo coronel PM Arthur Mascarenhas Fernandes durante entrevista concedida nesta quarta-feira (3) ao programa Portal Esfera no Rádio, da 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem.
Responsável pelo comando de algumas das unidades mais especializadas da corporação, o oficial coordena o trabalho do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Batalhão de Polícia de Choque, Grupamento Aéreo (Graer), Batalhão de Patrulhamento Tático Móvel (BPATAMO) e das 11 Companhias Independentes de Policiamento Especializado (CIPEs) distribuídas pelo território baiano.
Durante a entrevista, Mascarenhas afirmou que a estrutura disponível atualmente para as tropas especializadas coloca a Bahia em posição de destaque no cenário nacional. Segundo ele, os investimentos realizados nos últimos anos contemplam armamentos, aeronaves, equipamentos de visão noturna, drones e recursos voltados ao atendimento pré-hospitalar tático.
“Hoje, em termos estruturais, a gente não deve absolutamente a nenhuma polícia do Brasil. Muito pelo contrário. A estrutura do Bope é a melhor do país, com armamento e equipamentos de ponta”, afirmou.
Entre os investimentos citados pelo comandante estão a aquisição de um helicóptero avaliado em cerca de R$ 35 milhões, drones de monitoramento, equipamentos de visão noturna e novas metralhadoras destinadas às operações especiais. O coronel também destacou a compra de munições químicas e de pistolas de impacto controlado, utilizadas em situações de controle de distúrbios e ocorrências que exigem menor potencial letal.
“Acabou aquela retórica de que o bandido está mais armado que o policial. Essa retórica não existe aqui na Bahia. Estamos muito bem armados e equipados”, disse.
Atuação em áreas de maior conflito
Ao explicar o papel das unidades sob seu comando, Mascarenhas ressaltou que o CPME é empregado em situações consideradas de maior complexidade, como ocorrências com reféns, ações envolvendo explosivos, operações táticas e enfrentamento de grupos criminosos armados.
Segundo ele, o patrulhamento especializado também tem sido utilizado em regiões marcadas por disputas entre facções, tanto em Salvador quanto no interior do estado.
“O Estado precisa dar uma resposta firme quando essas organizações tentam impor domínio territorial. Nesses casos, nossas unidades especializadas atuam para restabelecer a ordem e garantir a segurança da população”, disse.
Tecnologia no combate ao crime
Outro ponto destacado pelo comandante foi o uso crescente da tecnologia nas ações policiais. De acordo com ele, ferramentas de inteligência e monitoramento remoto têm contribuído para aumentar a eficiência das operações e reduzir riscos durante as intervenções.
Como exemplo, o coronel citou um sistema utilizado no combate ao cultivo ilegal de maconha no interior da Bahia. Segundo o oficial, a tecnologia permite identificar áreas de plantio por meio de monitoramento especializado, auxiliando operações realizadas em municípios do norte e oeste baiano.
“Hoje conseguimos identificar plantações de maconha em diversas regiões da Bahia por meio de inteligência e tecnologia. Isso tem contribuído para operações exitosas em várias cidades do estado”, explicou.
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Além da segurança
Apesar dos investimentos em estrutura e equipamentos, o coronel avaliou que os desafios da segurança pública vão além da atuação policial. Para ele, questões sociais e urbanísticas também influenciam diretamente o cenário da criminalidade.
Mascarenhas apontou a vulnerabilidade social de algumas comunidades e o crescimento desordenado de áreas urbanas como fatores que dificultam o trabalho das forças de segurança. Segundo o comandante, a utilização de inteligência policial e recursos tecnológicos busca minimizar riscos e tornar as operações mais precisas.
“A tecnologia permite que a gente planeje melhor as ações e evite operações sem conhecimento prévio da área. Isso reduz riscos e aumenta a eficiência do trabalho policial”, completou.
