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Obesidade em pets preocupa especialistas por impactos na saúde e longevidade

Condição pode comprometer articulações, fígado, respiração e causar doenças graves

Por: Iago Bacelar

19/07/202506:00

A obesidade em cães e gatos tem sido registrada com frequência crescente nas clínicas veterinárias do país, afetando diretamente a qualidade de vida dos animais. Considerada um distúrbio nutricional, a condição é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, que ultrapassa entre 15% e 20% do peso ideal.

Obesidade em pets preocupa especialistas por impactos na saúde e longevidade
Foto: Reprodução/IA

Segundo pesquisa da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, realizada em São Paulo, 40,5% dos cães apresentam sobrepeso ou obesidade. O levantamento reforça a importância da atenção à alimentação e ao estilo de vida dos pets, que podem sofrer com diversas comorbidades associadas ao excesso de peso.

Fatores que contribuem para a obesidade em animais

A obesidade pode ser causada por uma série de fatores. Entre eles estão alimentação desbalanceada, sedentarismo, predisposição genética, idade avançada e castração sem adequação da dieta. Há ainda casos associados a questões emocionais, como ansiedade.

Ameaças ao sistema cardiovascular

Um dos principais impactos do excesso de peso está no sistema cardiovascular. O acúmulo de gordura sobrecarrega o coração, que precisa trabalhar mais para manter o fluxo sanguíneo. Essa pressão constante pode gerar hipertensão, insuficiência cardíaca e arritmias.

“Animais obesos também têm maior risco de desenvolver arritmias, comprometendo ainda mais a saúde do coração”, explicou Walérya Mendonça, professora de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera.

Relação entre obesidade e diabetes

A obesidade é fator de risco direto para o desenvolvimento de diabetes mellitus, especialmente entre gatos. A gordura interfere na ação da insulina, o que leva à resistência ao hormônio e ao aumento da glicemia, resultando na doença.

Entre os sintomas estão sede intensa, aumento na frequência urinária, emagrecimento repentino e fraqueza.

Dores articulares e redução de mobilidade

Outro efeito recorrente da obesidade é o comprometimento das articulações. O peso adicional pressiona os membros do animal, favorecendo doenças como artrose e displasia coxofemoral, que causam dor e limitam a mobilidade.

“O pet pode demonstrar relutância em brincar ou se movimentar, o que agrava ainda mais o sedentarismo e piora a obesidade”, ressaltou a veterinária.

Problemas respiratórios se agravam em dias quentes

A gordura acumulada na região torácica dificulta a expansão dos pulmões, especialmente em raças braquicefálicas, como pug, buldogue e shih tzu. Nessas condições, o animal pode ofegar facilmente, roncar mesmo em repouso e ter crises de falta de ar em dias quentes ou ao se movimentar.

Infecções de pele e queda na higiene

O sobrepeso pode levar à formação de dobras na pele, que acumulam sujeira e umidade, facilitando a proliferação de bactérias e fungos. Gatos obesos, por sua vez, perdem mobilidade e não conseguem fazer a própria limpeza, o que agrava o quadro.

Entre os problemas dermatológicos estão dermatites, feridas, coceiras, mau cheiro e a necessidade de tratamentos contínuos.

Complicações no fígado

A chamada lipidose hepática é um risco grave, principalmente entre gatos obesos que param de se alimentar. Nesses casos, o corpo passa a usar gordura como energia, o que causa acúmulo no fígado e compromete seu funcionamento.

Os sinais incluem vômitos, apatia, perda de apetite e icterícia. O tratamento precisa ser iniciado de forma rápida para evitar a falência hepática.

Obesidade pode tirar dois anos da vida do pet

De acordo com especialistas, a obesidade pode reduzir em até dois anos a expectativa de vida dos pets. A sobrecarga no corpo facilita o surgimento precoce de doenças e acelera o envelhecimento. Além disso, compromete a realização de atividades naturais e exige acompanhamento veterinário contínuo.

“Assim como a obesidade é um agravante para o surgimento de inúmeras doenças em humanos, ela afeta a qualidade de vida dos pets, pode causar comorbidades e não deve ser menosprezada”, alertou Walérya Mendonça.

Como prevenir e cuidar

Manter uma rotina de atividade física, oferecer alimentação balanceada e realizar consultas veterinárias periódicas são formas de prevenir o excesso de peso em cães e gatos. Além disso, é importante ajustar a dieta em casos de castração ou envelhecimento e estar atento a mudanças comportamentais que possam indicar distúrbios emocionais.

Para quem busca ajuda especializada, consultas com médicos veterinários podem ser agendadas presencialmente em clínicas ou por meio de plataformas digitais, que facilitam o acesso à orientação nutricional e diagnósticos precoces.