Delação de ex-banqueiro cita Alcolumbre e negócios com PT da Bahia
Daniel Vorcaro acusa senador de receber US$ 30 milhões
Por: Redação
13/06/2026 • 16:40
Uma nova proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, ex-controlador do extinto Banco Master, trouxe acusações envolvendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e negócios mantidos com o governo da Bahia durante gestões do PT. As informações foram divulgadas pela revista Veja.
No material entregue às autoridades, Vorcaro afirma ter realizado um pagamento de US$ 30 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 155 milhões, para Alcolumbre. Segundo o relato, a quantia teria sido depositada em uma conta secreta no exterior após o senador apoiar demandas de interesse do banco.
De acordo com a reportagem, a operação teria sido intermediada por Augusto Lima, apontado como ex-sócio do empresário. O conteúdo faz parte de uma tentativa de colaboração premiada que ainda não foi homologada.
Diante das acusações, Alcolumbre negou qualquer irregularidade e informou que pretende adotar medidas judiciais contra Vorcaro. Em nota, a assessoria da Presidência do Senado classificou as declarações como falsas e afirmou que o parlamentar jamais recebeu recursos no Brasil ou no exterior.
Rui Costa e operação na Bahia são citados
Além do presidente do Senado, o ex-governador da Bahia e atual ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), também é citado na proposta de delação.
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Segundo a Veja, Vorcaro não atribui ao petista qualquer recebimento de propina. O foco do relato seria o funcionamento do CredCesta, sistema de empréstimo consignado vinculado à folha de pagamento dos servidores estaduais.
Ainda conforme a publicação, o empresário teria prometido detalhar como a operação foi mantida durante os governos petistas na Bahia. O negócio teria gerado lucros bilionários para o Banco Master ao longo dos anos.
Até o momento, não houve divulgação de acusações criminais diretas contra Rui Costa relacionadas ao conteúdo mencionado pela revista.
PF rejeitou nova tentativa de acordo
Enquanto as denúncias seguem repercutindo nos bastidores políticos, a Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que rejeitou a nova proposta de colaboração apresentada por Vorcaro.
A avaliação dos investigadores foi de que o material não trouxe informações inéditas em relação ao que já vinha sendo apurado, nem apresentou elementos considerados suficientes para justificar o avanço do acordo.
Apesar da manifestação da PF, o conteúdo ainda está sob análise da Procuradoria-Geral da República (PGR). O procurador-geral Paulo Gonet determinou uma avaliação cautelosa do material e não definiu prazo para a conclusão do parecer.
Por outro lado, advogados ligados à defesa de Vorcaro sustentam que houve resistência de órgãos de investigação em aprofundar algumas das acusações apresentadas. Segundo a Veja, a equipe jurídica teria levado essa insatisfação ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
Até a homologação de eventual acordo ou apresentação de provas que sustentem as acusações, os relatos permanecem como alegações feitas pelo ex-banqueiro no âmbito de uma proposta de delação ainda não aceita pelas autoridades.
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