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Varejo de moda projeta crescimento discreto no inverno de 2026

Alto endividamento dos brasileiros e Copa do Mundo influenciam cenário

Por: Redação

23/05/202621:20

Pressionado por um cenário econômico instável, o comércio de vestuário no Brasil deve registrar um avanço discreto nas vendas durante o inverno de 2026. A estimativa foi divulgada pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), que aponta que, embora o período frio seja historicamente um dos mais importantes para o faturamento do setor, o consumo nos próximos meses deve ser contido.

Varejo de moda
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Entre os fatores que atrapalham o desempenho, a associação cita o alto endividamento das famílias, taxas de juros elevadas, incertezas políticas decorrentes do ano eleitoral e os reflexos de conflitos internacionais na economia.

De acordo com projeções do IEMI – Inteligência de Mercado, a expectativa é que o varejo nacional comercialize 1,85 bilhão de roupas entre os meses de maio e agosto deste ano. O montante representa uma variação positiva de apenas 0,65% na comparação com o mesmo período de 2025, quando o volume de vendas fechou em 1,84 bilhão de peças, segundo o site Fashion Network.

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Em termos financeiros, o faturamento estimado para a temporada é de R$ 63,34 bilhões — um crescimento nominal de 4,2% em relação aos R$ 60,79 bilhões do ano passado, desempenho que, na prática, apenas repõe as perdas inflacionárias do período.

Outras barreiras

Além das dificuldades macroeconômicas internas, a indústria e o comércio seguem sufocados pela alta nos custos logísticos, de energia, combustíveis e matérias-primas. Esse quadro é intensificado pelas tensões geopolíticas no exterior, sobretudo com a escalada dos conflitos no Oriente Médio, que geram gargalos nas cadeias de suprimentos e no transporte global. 

Somado a isso, a proximidade com a Copa do Mundo vem como um fator de distração para o orçamento doméstico, visto que o evento costuma desviar parte dos investimentos dos consumidores para outros setores do comércio.