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Violência digital: Bahia registra 17 casos de fotos sexuais criadas por IA

Levantamento da SaferNet aponta 17 vítimas em escolas baianas e alerta para os riscos da tecnologia

Por: Redação

08/10/202511:01

A Bahia aparece como o terceiro estado brasileiro com maior número de casos de imagens sexuais criadas por inteligência artificial (IA) envolvendo estudantes, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (7), pela SaferNet Brasil. No total, 16 ocorrências foram registradas em 10 estados, atingindo pelo menos 72 adolescentes.

Foto Violência digital: Bahia registra 17 casos de fotos sexuais criadas por IA
Foto: Foto: Studio Formatura/Galois/Divulgação

A pesquisa integra o estudo “Uso indevido de IA generativa: perspectivas sobre riscos e danos centradas nas crianças”, realizado pela SaferNet com apoio do Unicef e do Safe Online Fund. O levantamento busca compreender essa nova forma de violência digital e orientar ações de prevenção e conscientização voltadas para estudantes, educadores e famílias.

Segundo os dados, São Paulo lidera o ranking com 37 casos, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 16, e pela Bahia, que registra 17 vítimas.

O que são as imagens sexuais geradas por IA

As chamadas fotos sexuais criadas por IA são montagens digitais que simulam nudez ou cenas íntimas sem o consentimento da pessoa retratada. O material é produzido a partir de fotos, vídeos ou áudios reais, e tem sido usado para expor e constranger estudantes, especialmente meninas.

Casos em escolas e na capital baiana

No Colégio Militar de Salvador (CMS), estudantes foram vítimas de montagens pornográficas realizadas por colegas, que combinavam rostos das meninas com corpos nus produzidos por IA. O material chegou a ser comercializado e compartilhado em sites adultos. Pelo menos 15 alunas do 8º e 9º ano do Ensino Fundamental II e do 1º ano do Ensino Médio teriam sido afetadas. A instituição informou que abriu processo administrativo interno para apurar os fatos e identificar os responsáveis.

No mesmo período, uma jovem de 18 anos teve fotos tiradas em sua residência alteradas digitalmente e divulgadas nas redes sociais, simulando nudez completa. Ao tentar registrar ocorrência, a vítima inicialmente foi informada de que não seria possível, já que não sabia quem produziu e compartilhou a imagem. Posteriormente, o caso foi formalizado como crime de difamação online na 3ª Delegacia Territorial do Bonfim.

Especialistas alertam que esse tipo de conteúdo pode causar danos psicológicos graves, como constrangimento, ansiedade e depressão. O estudo da SaferNet enfatiza a importância de programas de educação digital, acompanhamento familiar e conscientização nas escolas, além de políticas públicas voltadas para a proteção de crianças e adolescentes na internet.