“Sem acolhimento, a mulher permanece em risco”, diz ativista
Isabela Conde critica falhas no acolhimento e relata desafios após sobreviver a ataque
Por: Redação
18/03/2026 • 15:40
A ativista Isabela Oliveira Conde (@isabela_conde) fez críticas ao sistema de acolhimento a mulheres vítimas de violência doméstica durante entrevista ao Programa Portal Esfera no Rádio, da 97,5 FM, nesta quarta-feira (18). Em conversa com o apresentador Luís Ganem, ela destacou a falta de políticas públicas eficazes e relatou as dificuldades enfrentadas por vítimas após romperem ciclos de agressão.
Sobrevivente de uma tentativa de feminicídio em 2019, Isabela afirmou que campanhas de conscientização não são suficientes sem uma estrutura de suporte adequada.
“Não adianta falar em feminicídio zero sem garantir políticas públicas que acolham essa mulher”, disse.
Segundo ela, a rede de proteção ainda apresenta falhas que dificultam a reconstrução da vida das vítimas. Um dos pontos criticados é o funcionamento das casas de acolhimento, que, na avaliação da ativista, impõem restrições severas às mulheres.
“Elas ficam sem acesso ao celular, à família, com regras rígidas. Isso acaba sendo uma espécie de prisão”, afirmou.
Isabela também apontou a dificuldade de acesso a benefícios básicos, como o auxílio para moradia. De acordo com a ativista, o valor previsto muitas vezes não chega às mulheres que precisam.
“Falta acolhimento. Muitas não têm para onde ir e acabam permanecendo em situação de risco”, destacou.
Rede de apoio e atuação social
Desde 2021, Isabela atua no atendimento a vítimas por meio de uma organização social que oferece suporte jurídico e psicológico. O primeiro contato, segundo ela, costuma ocorrer pelas redes sociais, onde avalia cada caso antes de encaminhar para acompanhamento especializado.
Apesar do alcance da iniciativa, a ativista afirma que o trabalho ainda enfrenta limitações estruturais.
“A gente atua sem o suporte necessário do poder público. É um trabalho feito com coragem, mas que precisa de mais apoio para ser ampliado”, disse.
Ela também revelou que a organização conquistou recentemente o selo do programa Pacto pela Vida, iniciativa que pode abrir portas para novos recursos e parcerias institucionais.
Durante a conversa, Isabela relatou que os desafios não terminaram após o ataque que quase tirou sua vida. Além da recuperação física, ela enfrentou dificuldades no sistema judicial e na reinserção social.
“A violência não acaba no crime. Existe todo um processo depois, com audiências, investigações e espera por justiça, que também desgasta”, afirmou.
A experiência, de acordo com ela, foi determinante para a criação do projeto social. Ao perceber que outras mulheres não tinham a mesma rede de apoio, decidiu atuar diretamente na orientação e fortalecimento emocional das vítimas.
“Se para mim, que tinha estrutura, já foi difícil, imagine para quem não tem nada. Foi isso que me motivou a ajudar outras mulheres a não desistirem das suas vidas”, concluiu.
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