OAB-BA alerta para golpe do falso advogado após mais de 2 mil casos
Vice-presidente da OAB-BA detalhou esquema criminoso em entrevista ao Portal Esfera no Rádio
Por: Marcos Flávio Nascimento
28/07/2026 • 12:47
O crescimento do golpe do falso advogado voltou a acender o alerta na Bahia. Em entrevista ao Portal Esfera no Rádio, apresentada por Luis Ganem, o vice-presidente da OAB-BA, Hermes Hilarião, revelou que a entidade já recebeu mais de 2 mil denúncias formais desse tipo de crime no estado, que vem causando prejuízos financeiros e abalando a confiança da população no sistema de Justiça.
Segundo o advogado, a prática criminosa evoluiu nos últimos anos e deixou de atingir apenas a advocacia. Hoje, golpistas também se passam por juízes, delegados, servidores públicos e integrantes do Poder Judiciário para convencer vítimas a realizar transferências bancárias.
Apesar da diversificação dos golpes, Hermes afirma que a fraude envolvendo advogados ainda lidera os registros recebidos pela Ordem. O esquema costuma utilizar fotos retiradas das redes sociais de profissionais da advocacia para dar aparência de legitimidade ao contato.
"O golpe do falso advogado ganhou um conhecimento muito grande da sociedade, mas hoje nós podemos ampliar essa nomenclatura. Temos golpistas se passando por juízes, delegados e servidores da Justiça. Ainda assim, o mais recorrente continua sendo o golpe do falso advogado", explicou.
Como funciona o golpe e por que tantas pessoas ainda caem
O criminoso normalmente entra em contato com pessoas que possuem processos judiciais em andamento. A abordagem segue um roteiro semelhante: informa que a ação foi concluída, diz que uma indenização ou outro valor será liberado e, antes disso, exige um pagamento imediato via Pix ou boleto para supostas custas judiciais ou taxas.
A estratégia, segundo Hermes Hilarião, é baseada na pressão psicológica e no senso de urgência.
"A conversa é sempre parecida. Dizem que a angústia acabou, que o dinheiro será liberado, mas que antes é preciso fazer um Pix ou pagar um boleto naquele momento", afirmou.
O vice-presidente da OAB-BA destacou que até pessoas experientes acabam sendo enganadas.
"Às vezes, um cidadão esclarecido, um sargento, por exemplo, naquela ansiedade de resolver o problema, acaba transferindo o dinheiro e caindo no golpe."
Para ele, a principal orientação é desconfiar sempre que houver pedidos de pagamento urgente.
"Se você esperou cinco, dez ou quinze anos pelo processo, será mesmo que o dinheiro precisa ser liberado naquele dia? Na dúvida, não faça pagamento. Ligue para seu advogado, faça uma chamada de vídeo ou vá até o escritório."
Prisões já ocorreram na Bahia e em outros estados
Além das campanhas de conscientização, a OAB-BA mantém atuação conjunta com órgãos de segurança pública para combater as quadrilhas especializadas nesse tipo de crime.
Hermes revelou que operações recentes resultaram em prisões tanto na Bahia quanto em outros estados.
Em uma das ações, os investigadores encontraram integrantes do grupo criminoso reunidos em uma confraternização.
"Nós tivemos uma operação específica aqui na Bahia. Os golpistas estavam fazendo churrasco, fazendo festa. Lá foram encontrados os celulares utilizados para aplicar os golpes, inclusive com conexões para outros estados", relatou.
Outra operação também levou à prisão de suspeitos em Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, que aplicavam golpes em vítimas de diferentes regiões do país.
Segundo Hermes, a OAB atua recebendo denúncias, organizando provas e encaminhando o material às autoridades, mas a investigação criminal é responsabilidade da Polícia Civil.
"A OAB faz um estudo do material recebido e entrega informações mais detalhadas para a polícia. Mas o poder investigativo é do Estado. Nós não podemos instaurar inquérito policial."
O dirigente ressaltou ainda que o combate depende da integração entre diversas instituições, incluindo Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Ministério Público, Tribunal Regional do Trabalho, Justiça Federal, Polícia Civil e Poder Judiciário.
Para ele, o impacto do golpe vai além do prejuízo financeiro das vítimas.
"Isso afeta todo o sistema de Justiça. Gera descrédito não apenas para a advocacia, mas para todo o Judiciário."
Hermes reforçou que, diante de qualquer pedido de depósito ou transferência relacionado a processos judiciais, o cidadão deve confirmar a informação diretamente com seu advogado antes de realizar qualquer pagamento.
