Logo

OAB amplia estrutura no interior e critica demora da Justiça na Bahia

Daniela Borges diz que processos podem levar até 15 anos e anuncia expansão da estrutura

Por: Marcos Flávio Nascimento

14/05/202616:30Atualizado

A presidente da OAB Bahia, Daniela Borges, afirmou, durante entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio, transmitido na Rádio Itapoan FM (97,5), apresentado por Luis Ganem, que a entidade tem ampliado sua presença no interior do estado com a criação de novas salas de apoio para advogados e criticou a lentidão da Justiça baiana, que, segundo ela, ainda registra processos que levam mais de uma década para serem concluídos.

Entrevista com a presidente da OAB, Daniela Borges
Foto: Lorena Bomfim / Portal Esfera

Na conversa, Daniela detalhou investimentos da instituição em municípios menores e chamou atenção para o impacto da morosidade judicial na vida da população.

Segundo a presidente, a OAB já mantém mais de 200 salas de apoio espalhadas pela Bahia, inclusive em cidades que sequer possuem fórum. Os espaços funcionam como suporte para a advocacia, com internet, impressora, scanner e local reservado para atendimento de clientes.

“Nosso compromisso é atuar por toda a advocacia, mas sabemos que o interior precisa mais da OAB. Por isso temos projetos específicos para quem enfrenta maiores desafios estruturais”, afirmou.

OAB leva estrutura até cidades sem fórum

Daniela destacou que a meta é garantir presença em todas as comarcas e expandir o serviço para municípios que ainda não contam com sede do Judiciário.

Ela citou como exemplo Campo Alegre de Lourdes, no norte do estado, onde a instituição instalou uma unidade mesmo sem fórum. Segundo a dirigente, o município tinha 38 advogados inscritos e a inauguração reuniu quase toda a categoria local:

“Disseram que nenhum presidente da OAB tinha ido lá. Eu respondi que não só faria a sala como iria inaugurar pessoalmente."

A estrutura, segundo ela, beneficia tanto profissionais da cidade quanto advogados de outras regiões que precisem realizar diligências.

Presidente diz que culpa da demora não é da advocacia

Durante a entrevista, Daniela também rebateu a percepção de que advogados seriam responsáveis pela lentidão processual. Segundo ela, os profissionais cumprem prazos legais e não têm como reter o andamento das ações.

“O advogado tem prazo. Se não cumprir, sofre as consequências. Processo parado não está com advogado. Está no cartório ou com o juiz”, disse.

A presidente afirmou que a média de duração de uma ação gira entre três e quatro anos, mas destacou que há processos que se arrastam por 10 a 15 anos, especialmente no interior.

Ela também chamou atenção para o volume de trabalho de magistrados. Em algumas varas, segundo relatou, há acervos superiores a 20 mil processos, o que compromete o tempo de resposta do Judiciário:

“Tem unidade com mais de 20 mil ações. Isso impacta diretamente. E em áreas como família, quando o processo demora, o conflito piora e o dano social aumenta."