Mãe de Davi Fiúza cobra júri popular após 12 anos sem respostas
Rute Fiúza voltou a denunciar morosidade da Justiça em caso de jovem desaparecido
Por: Redação
25/05/2026 • 13:35 • Atualizado
O caso de Davi Fiúza, jovem negro desaparecido desde 2014 após ser levado por policiais militares no bairro de São Cristóvão, voltou ao centro do debate nesta segunda-feira (25), durante mais uma audiência de instrução realizada no Fórum Criminal Desembargador Carlos Souto, em Sussuarana.
A sessão teve como foco o depoimento de duas testemunhas e reuniu familiares, representantes de movimentos sociais e organizações de direitos humanos que acompanham o caso há mais de uma década.
Mãe de Davi, Rute Fiúza voltou a cobrar que os policiais acusados sejam levados a júri popular. Emocionada, ela afirmou que ainda não conhece o verdadeiro significado da palavra justiça.
“Uma palavra que ainda não conheço é justiça. Para mim, a justiça ainda é uma utopia. Estou lutando por ela”, declarou à imprensa.
“Meu luto é uma luta”, afirma Rute
Ao longo da audiência, Rute reforçou que o desaparecimento do filho ultrapassa a dor individual e simboliza também a violência enfrentada por jovens negros nas periferias brasileiras.
“Meu luto é uma luta. Meu clamor é o júri popular”, afirmou a coordenadora do movimento Mães de Maio da Bahia e integrante da Coalizão Negra por Direitos.
Ela também criticou a demora na tramitação do processo, que já soma cerca de 12 anos sem uma definição judicial.
Segundo Rute, a lentidão da Justiça pode contribuir para o enfraquecimento da memória do caso. “A morosidade judiciária é para que caia no esquecimento e para que a gente desista, como se mãe desistisse do filho. Eu não vou desistir”, disse.
A mãe de Davi ainda demonstrou preocupação com a possibilidade de o processo seguir se arrastando por mais anos:
“Espero que esse caso não se prolongue por mais 12 anos. Só peço que não seja arquivado, porque existem provas robustas de todo o fato”, declarou.
Organizações acompanham andamento do processo
Representantes da Anistia Internacional e da Iniciativa Negra acompanharam a audiência e reforçaram o monitoramento nacional e internacional sobre a condução do caso.
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O processo é marcado por sucessivos adiamentos e pela demora judicial desde o desaparecimento de Davi Fiúza, ocorrido em outubro de 2014. Co-fundador da Iniciativa Negra, Dudu Ribeiro afirmou que a expectativa agora é que o caso avance para júri popular.
“A ida do caso para a Justiça comum já demonstra o reconhecimento de indícios de homicídio. Esperamos que, com a escuta das últimas testemunhas, o juiz pronuncie o caso para júri popular”, afirmou.
Segundo ele, a responsabilização do Estado também é necessária como forma de reparação à família.
Processo entra em fase decisiva
Após a audiência desta segunda-feira, o processo entra agora na etapa de alegações finais, fase em que acusação e defesa apresentam seus últimos argumentos antes da decisão judicial.
Caberá ao juiz definir se os policiais investigados irão ou não a julgamento popular. Nesta terça-feira (26), Rute Fiúza deve prestar depoimento por escrito no andamento do processo.
O desaparecimento de Davi Fiúza se tornou um dos casos mais emblemáticos relacionados à violência policial contra jovens negros na Bahia.
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