Especialistas alertam para impacto da IA nas eleições de 2026
Caso “Dona Maria” expõe desafios da Justiça Eleitoral e da informação
Por: Domynique Fonseca
04/05/2026 • 16:30
O avanço do uso de inteligência artificial no ambiente digital deve representar um dos principais desafios para as eleições de 2026 no Brasil. A avaliação foi feita pelos jornalistas Raul Aguilar, do Política ao Ponto, e Jones Almeida, do Classe Política, durante o programa Portal Esfera no Rádio, na 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem, nesta segunda-feira (4).
O debate ganhou força a partir do caso da “Dona Maria”, um avatar criado com inteligência artificial que viralizou nas redes sociais ao se apresentar como uma mulher idosa, negra e moradora da periferia, com discursos críticos à situação do país. Um dos vídeos publicados atingiu milhões de visualizações, chegando a 22 milhões antes de ser removido por violar diretrizes da plataforma.
A repercussão levou a uma ação da federação formada por PT, PV e PC do B, que acionou a Justiça Eleitoral pedindo a suspensão do perfil. Os partidos alegam uso de inteligência artificial e possíveis técnicas de deepfake para propaganda eleitoral antecipada.
Para Raul Aguilar, a presença desse tipo de conteúdo deve se intensificar no próximo pleito, com limitações práticas para controle.
“Vai dar problema. Não tem como a Justiça Eleitoral operacionalizar isso em tão pouco tempo. Por mais que exista boa vontade, na prática vai ter fake news, vai ter deep fake”, afirmou.
O comunicólogo defendeu que, diante desse cenário, o principal instrumento de defesa será a conscientização do eleitor:
“Quanto mais informar a população, melhor. Declarações que fogem do tom do político convencional precisam ser checadas. É importante buscar fontes oficiais e desconfiar do que circula nas redes."
Opinião pública
Já Jones Almeida destacou o papel das redes de mensagens na disseminação de conteúdos sem verificação. Segundo ele, aplicativos como o WhatsApp têm grande influência na formação da opinião pública.
“Cerca de 40% das pessoas se informam por lá, e muitas vezes o conteúdo é repassado sem checagem. A cultura é compartilhar rapidamente, sem verificar”, pontuou.
O jornalista também chamou atenção para a velocidade de propagação das informações: “Em poucos minutos, um material chega a diversos grupos. Como controlar isso? Esse é o grande desafio."
Lorena Bomfim / Portal Esfera
Para Jones, o problema tende a se agravar com o avanço tecnológico.
“A inteligência artificial ainda é embrionária e novas ferramentas surgem rapidamente. A cada eleição, o desafio aumenta. Não é simples criar mecanismos de controle em um cenário tão dinâmico”, avaliou.
Os especialistas concordam que, embora haja iniciativas da Justiça Eleitoral para monitorar o uso de tecnologia nas campanhas, a capacidade de fiscalização enfrenta limitações diante da escala e da rapidez com que os conteúdos são produzidos e distribuídos.
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