COPPA intensifica combate a crimes ambientais e aposta em educação
Em entrevista, comandante destacou resgates, fiscalização e papel das crianças na preservação
Por: Marcos Flávio Nascimento
15/07/2026 • 15:00
A comandante da Companhia Independente de Polícia de Proteção Ambiental (COPPA), tenente-coronel Érica Patrícia Santos, afirmou que a Polícia Militar da Bahia tem ampliado as ações de combate aos crimes ambientais e reforçado o investimento em educação ambiental como principal estratégia para preservar a fauna e conscientizar a população. As declarações foram dadas ao apresentador Luis Ganem, nesta quarta-feira (15), durante entrevista ao Portal Esfera no Rádio, na Itapoan 97,5 FM.
Segundo a oficial, além das operações de fiscalização, a COPPA atua em parceria com outros órgãos ambientais para combater práticas ilegais, como poluição sonora, desmatamento e manutenção irregular de animais silvestres em cativeiro.
"A Polícia Militar da Bahia tem realizado diversas operações, inclusive com outros órgãos. Crime ambiental está previsto em lei federal. Dependendo da situação, o material é apreendido e o indivíduo é conduzido", explicou.
A comandante destacou ainda que muitas ocorrências ultrapassam a esfera ambiental e passam a representar também um problema de saúde pública. "Nós falamos de respeito e nós precisamos também respeitar o outro. Por isso, todos os finais de semana realizamos operações para combater esse grande incômodo causado à população", afirmou.
Educação ambiental transforma comportamento da população
Durante a entrevista, Érica ressaltou que a principal ferramenta da COPPA não é a repressão, mas sim a educação ambiental, especialmente junto às crianças.
Segundo ela, o trabalho realizado nas escolas tem mudado a relação da população com os animais silvestres. Antes, era comum que serpentes, sariguês e outras espécies fossem mortas por medo ou desconhecimento. Hoje, o cenário começa a ser diferente:
"As pessoas antigamente encontravam uma serpente ou um sariguê e matavam. Hoje elas ligam para a Polícia Militar, aguardam nossa equipe e até nos aplaudem quando fazemos o resgate."
A comandante contou que as palestras geram situações curiosas. "Depois das apresentações, muitas crianças dizem: 'Tia, a senhora precisa prender meu pai, porque ele tem passarinho. Minha avó tem jabuti'. Nós orientamos que elas conversem com a família e expliquem o que aprenderam."
De acordo com Érica, esse diálogo dentro de casa tem surtido efeito. "No dia seguinte, muitas famílias procuram a sede da Polícia Ambiental para entregar espontaneamente os animais. O pai quer ser uma referência positiva para o filho, e isso mostra a força da educação ambiental."
Fiscalizações combatem desmatamento e obras irregulares
Outro tema abordado pela comandante foi o combate ao desmatamento ilegal na Bahia. Ela explicou que qualquer supressão de vegetação depende de autorização dos órgãos competentes e de estudos de impacto ambiental.
Segundo Érica, boa parte das fiscalizações começa a partir de denúncias feitas pela população.
"Recebemos essas informações pelos nossos canais e realizamos a fiscalização juntamente com o Inema. Quando constatamos irregularidades, a obra pode ser embargada", destacou.
Ela também chamou atenção para a importância de cada espécie dentro do equilíbrio ambiental, citando o papel dos sariguês no controle de serpentes peçonhentas:
"Cada animal tem uma função essencial no ecossistema. O sariguê, por exemplo, ajuda no controle de serpentes. Não podemos olhar para um animal apenas pela aparência."
Ao final da entrevista, Érica agradeceu o apoio da comunidade e da corporação, destacando que a preservação do meio ambiente depende da participação de toda a sociedade.
"Nós salvamos vidas humanas e não humanas, que são essenciais para o equilíbrio do nosso planeta. Precisamos caminhar juntos para garantir um meio ambiente ecologicamente sadio e equilibrado, como prevê a Constituição Federal", concluiu.
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