Acidentes de trabalho disparam no Brasil e atingem novo recorde
Estado baiano está entre os que mais registram ocorrências
Por: Redação
28/04/2026 • 10:34
O Brasil atingiu, em 2025, o maior número de acidentes de trabalho já registrado: foram 806.011 ocorrências e 3.644 mortes ao longo do ano. Os dados colocam o período como o mais crítico da série histórica recente e acendem alerta sobre as condições de segurança no ambiente laboral.
As informações são da Secretaria de Inspeção do Trabalho, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego, com base em registros do INSS e do sistema eSocial.
Desde 2020, quando houve retração nas notificações em razão da pandemia, o país apresenta crescimento contínuo nos indicadores. Nesse intervalo, os acidentes aumentaram 65,8%, enquanto as mortes subiram 60,8%, indicando uma tendência de alta consistente.
No acumulado entre 2016 e 2025, o país contabiliza 6,4 milhões de acidentes e 27.486 mortes. O impacto também é medido pela perda de produtividade: mais de 106 milhões de dias de trabalho foram perdidos por afastamentos, além de outros 249 milhões de dias associados a incapacidades permanentes e óbitos.
Bahia lidera no Nordeste
No recorte regional, a Bahia aparece em destaque. O estado soma 180.598 acidentes no período analisado, ocupando a oitava posição no ranking nacional e a primeira no Nordeste.
Em relação às mortes, o cenário se repete: foram 1.227 óbitos, também colocando a Bahia entre os estados com maior número de registros. Os dados indicam que, embora não esteja entre os líderes absolutos do país, o estado integra um grupo considerado de atenção.
Apesar do aumento no número de trabalhadores formais ao longo da década, a evolução das medidas de segurança não acompanhou o mesmo ritmo. A taxa proporcional de acidentes até apresentou queda, mas o volume total de ocorrências cresceu.
O levantamento também ressalta que os dados consideram apenas vínculos formais de trabalho, o que pode indicar subnotificação, especialmente em setores com maior informalidade.
Setores com maior risco
A análise por atividade econômica mostra diferenças significativas. Na área da saúde, especialmente em serviços hospitalares, concentra-se o maior número de acidentes, com destaque para técnicos de enfermagem.
Já no transporte rodoviário de cargas, o número de mortes é mais elevado, com forte impacto entre motoristas de caminhão. A construção civil também aparece entre os segmentos com maior exposição a riscos.
O setor de serviços, como limpeza e comércio, também registra volumes expressivos, mostrando que os acidentes não se restringem a atividades industriais.
Os acidentes típicos, ocorridos durante a jornada de trabalho, ainda são maioria, mas os casos de trajeto vêm aumentando ao longo dos anos. Outro destaque é o crescimento da participação feminina, que já representa mais de um terço das ocorrências.
As doenças ocupacionais tiveram pico em 2020, influenciadas pela pandemia, sobretudo entre profissionais da saúde.
O cenário, segundo especialistas, reforça a necessidade de ampliação de políticas de prevenção e fiscalização para reduzir riscos e preservar a saúde dos trabalhadores.
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