“A educação precisa dar tesão”, diz pesquisador baiano
Professor Vinícius Jacob defende um resgate da memória popular da Bahia
Por: Domynique Fonseca
15/05/2026 • 12:58
A forma como a História é ensinada nas escolas brasileiras foi um dos principais pontos debatidos pelo professor e pesquisador Vinícius Jacob durante participação no programa Portal Esfera no Rádio, na 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem, nesta sexta-feira (15). Conhecido por compartilhar curiosidades e fatos históricos da Bahia nas redes sociais, ele afirmou que o ensino tradicional afastou os jovens do interesse pelo passado.
Criador do perfil “Baú Histórico da Bahia” (@bauhistoricodabahia), Vinícius explicou que o projeto surgiu ainda no fim dos anos 1990, quando trabalhava na Fundação Pedro Calmon, no Centro de Memória da Bahia. Segundo ele, o desconhecimento de estudantes de História sobre figuras importantes da política e da formação do estado chamou a atenção.
“O homem que conhece sua história domina seu próprio conhecimento. As pessoas valorizam muito as obras, mas esquecem quem pensou e construiu aquilo”, afirmou.
Durante a entrevista, o pesquisador fez críticas ao modelo de ensino adotado nas escolas e defendeu uma maneira mais dinâmica e próxima da realidade dos estudantes. Para ele, o ensino da História perdeu espaço por permanecer preso a métodos considerados ultrapassados.
“A educação precisa dar tesão. O conhecimento precisa despertar interesse. Ainda se conta História da mesma forma de 50 anos atrás”, declarou.
Vinícius também apontou que as novas tecnologias e a inteligência artificial devem transformar a maneira de transmitir conhecimento histórico, aproximando os jovens dos acontecimentos que marcaram o país.
Ao comentar episódios históricos da Bahia, o pesquisador trouxe uma visão diferente sobre a Independência da Bahia, celebrada no 2 de Julho. Segundo ele, o episódio foi marcado mais pelo cerco econômico imposto aos portugueses do que por grandes confrontos armados.
“O 2 de Julho não foi aquela guerra gigantesca que muita gente imagina. Houve um bloqueio de alimentos e abastecimento, principalmente vindo da Ilha de Itaparica e do Recôncavo”, explicou.
O professor também destacou que parte da população negra e escravizada da época não se sentia representada pela luta, já que, após o conflito, as estruturas sociais permaneceram praticamente as mesmas.
“Os negros continuaram escravizados e a elite continuou sendo elite. Muitos não viam sentido em lutar por quem continuaria explorando eles”, afirmou.
Vinícius Jacob defendeu a valorização da memória popular, das narrativas locais e das figuras históricas que ajudaram a construir a identidade baiana. Segundo ele, conhecer a própria história é essencial para compreender os problemas sociais e culturais da atualidade.
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